MPSP abre investigação sobre operação do cartão Top e mira modelo de bilhetagem
Apuração envolve o modelo adotado para administrar a bilhetagem e a arrecadação das tarifas, além da contratação da empresa responsável pela operação tecnológica do sistema.
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades na operação do cartão TOP, sistema utilizado no Metrô, na CPTM e nos ônibus metropolitanos da EMTU.
A apuração envolve o modelo adotado para administrar a bilhetagem e a arrecadação das tarifas, além da contratação da empresa responsável pela operação tecnológica do sistema. O caso está em análise no tribunal desde 2022 e tem como relator o conselheiro Maxwell Borges de Moura Vieira.
O modelo é questionado porque a Associação de Apoio e Estudos da Bilhetagem e Arrecadação (Abasp), formada por empresas do setor de transporte, contratou a Autopass para operar o sistema TOP sem uma licitação pública. Documentos obtidos apontam que o contrato tem vigência até 2040 e previa, inicialmente, a transferência da operação de bilheterias de dez das principais estações do Metrô e da CPTM para a empresa.
A discussão ganhou novo peso diante de questionamentos sobre a relação entre a Abasp e a Autopass. Levantamentos sobre a estrutura das entidades apontam vínculos entre integrantes da associação e grupos empresariais ligados ao setor de transporte.
O modelo também substituiu gradualmente o antigo cartão BOM e ampliou o uso de QR Code e meios digitais de pagamento. A mudança foi acompanhada por críticas de passageiros relacionadas a falhas no aplicativo, dificuldades nos totens de atendimento e problemas na obtenção do cartão e de benefícios.
Outro ponto sob análise é o impacto da estrutura sobre o controle dos recursos arrecadados com as tarifas. Metrô e CPTM chegaram a recorrer à Justiça para cobrar repasses relacionados ao antigo sistema BOM. Em 2026, documentos também revelaram que a Autopass foi contratada pela Abasp para operar o TOP sem licitação, mantendo o assunto sob análise do TCE-SP.
A Autopass afirma que atua como fornecedora de tecnologia e, segundo informações divulgadas pela empresa, não participa da gestão financeira dos recursos arrecadados nem das decisões sobre a operação das bilheterias. A Abasp, por sua vez, já afirmou que a contratação seguiu seu regulamento interno e foi aprovada pelos órgãos de governança da entidade.
A investigação do TCE-SP ainda não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade ou prejuízo aos cofres públicos. O tribunal deverá analisar documentos, contratos e movimentações financeiras antes de apresentar uma decisão sobre o modelo de gestão da bilhetagem.
