Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo bilionário
Após fechar 298 lojas e registrar prejuízo bilionário, Casas Bahia pede recuperação judicial para renegociar dívidas e reorganizar as finanças
O Grupo Casas Bahia anunciou neste domingo (6) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras empresas ligadas ao grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar dívidas.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial.
Entre as empresas incluídas estão a fabricante de móveis Bartira e companhias das áreas de logística, tecnologia e comércio eletrônico, como ASAP Log, Cnova, Integra Soluções para Varejo Digital e Casas Bahia Tecnologia.
Segundo a companhia, a decisão ocorre em meio à piora do cenário econômico, com juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e redução do consumo.
A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam em negociação. Diante da falta de liquidez, a recuperação judicial foi apresentada como uma medida para reorganizar as obrigações financeiras e preservar as atividades do grupo.
Apesar do pedido, a Casas Bahia afirmou que pretende manter suas lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda em funcionamento, buscando reduzir possíveis impactos para os consumidores.
Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, os acionistas ainda deverão analisar e ratificar a decisão em Assembleia Geral Extraordinária, que será convocada pela empresa.
Mudanças na direção
No mesmo dia do pedido de recuperação judicial, a companhia anunciou alterações na diretoria e no Conselho de Administração.
Fábio Spina deixou a vice-presidência das áreas Jurídica e Tributária. Ele estava na empresa desde 2024 e continuará prestando consultoria durante o processo de reestruturação.
Para assumir as funções, foi nomeada Sírley Lima. Com mais de 20 anos de experiência, ela passa a comandar as áreas Jurídica, Tributária, Compliance e Controles Internos. A executiva já trabalhou em empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.
Também deixaram o Conselho de Administração Jackson Schneider e Rogério Calderón. Cláudia Quintella Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças.
Mesmo fora do Conselho, Jackson Schneider continuará à frente dos comitês responsáveis por auditoria, riscos, compliance e investigações internas.
Prejuízo ultrapassa R$ 10 bilhões
O anúncio da recuperação judicial ocorreu no mesmo dia em que a Casas Bahia divulgou um prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre.
Segundo a companhia, o resultado foi impactado pelo plano de redimensionamento da operação, que incluiu o fechamento de 298 lojas.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e possibilitar a continuidade das atividades.
