Sequestrado por policial pode ser morto pelo PCC, segundo investigação

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Investigação aponta que agente teria usado veículo caracterizado como viatura para abordar comerciante em Artur Alvim.

A Polícia Civil identificou Daniel dos Santos, de 34 anos, como a possível vítima de um sequestro atribuído ao policial civil Rafael Juergen Shult, de 2ª classe, e a um comparsa. O crime teria ocorrido em 12 de agosto, na zona leste de São Paulo, durante um encontro marcado após uma negociação envolvendo drogas.

Segundo informações obtidas pela reportagem, Daniel teria sido atraído para uma região de Artur Alvim. A suspeita investigada é que Shult tenha se apresentado como um possível comprador interessado em drogas, enquanto Daniel acreditava que aplicaria um golpe semelhante ao que já teria cometido contra outras pessoas.

O encontro terminou de forma diferente para os dois lados. Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que comparsas de Daniel conseguem fugir, enquanto ele é imobilizado, algemado e colocado em um Chevrolet Trailblazer caracterizado como veículo de serviço velado da Polícia Civil.

O automóvel foi apreendido pela Corregedoria da Polícia Civil e, segundo as informações levantadas no caso, está registrado em nome do próprio policial investigado.

VÍTIMA TERIA SIDO ESPANCADA

A investigação também apura relatos de que Daniel teria sido agredido durante o período em que permaneceu sob o poder dos sequestradores. Uma testemunha afirmou que o homem foi espancado antes de ser libertado. Daniel teria sido deixado em liberdade na madrugada de 13 de agosto e, posteriormente, procurado abrigo em uma comunidade de Osasco.

Desde então, segundo moradores ouvidos pela reportagem, ele teria permanecido escondido na região. A presença de policiais na comunidade, a partir da segunda-feira (17), teria aumentado a tensão entre os moradores. A polícia procura Daniel para que ele preste depoimento e esclareça a dinâmica do sequestro.

SUSPEITA DE DUPLA FRAUDE

Uma das principais linhas investigativas é a de que Daniel e o policial teriam chegado ao encontro acreditando que aplicariam um golpe um contra o outro. Daniel seria suspeito de oferecer drogas pelas redes sociais e combinar entregas pelo sistema de delivery. Segundo relatos obtidos pela reportagem, em alguns casos ele receberia o dinheiro e entregaria uma sacola sem as drogas prometidas, podendo ainda roubar outros objetos da vítima.

Essa versão, porém, integra as informações levantadas pela investigação e não significa que Daniel tenha participação no sequestro ou que as acusações contra ele estejam comprovadas. O homem possui antecedentes criminais e foi condenado por participação no roubo de uma carga de bacalhau em 2018.

A investigação agora tenta esclarecer o que ocorreu depois do encontro, quais foram as motivações do policial e de seu comparsa e se houve participação de outras pessoas.

POLICIAL ESTÁ FORAGIDO

A Justiça decretou a prisão preventiva de Rafael Juergen Shult e do homem apontado como seu comparsa. Até a publicação desta reportagem, os dois permaneciam foragidos.

Shult é atualmente lotado no 78º Distrito Policial, nos Jardins. A defesa do policial ingressou com um habeas corpus para tentar derrubar a ordem de prisão. Segundo os advogados, o nome de Daniel dos Santos aparece no pedido apresentado à Justiça.

O caso está sob investigação e deverá ser analisado também pela Corregedoria da Polícia Civil, responsável por apurar eventuais infrações cometidas por agentes da instituição. A presença de um veículo caracterizado como viatura de serviço velado, a utilização de algemas e a participação de um policial em uma abordagem que teria terminado em sequestro são alguns dos elementos que colocam a conduta do agente no centro da apuração.

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