Lula decide não ir ao debate da Band e Flávio Bolsonaro também pode ficar fora
Aliados de Flávio avaliam que, sem o petista, senador viraria alvo dos demais candidatos.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não participar do primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band neste domingo (23), às 20h. A informação foi comunicada informalmente à emissora e, segundo relatos publicados nesta sexta-feira (21), a participação do petista já era considerada pouco provável por seus aliados.
A decisão deve provocar um efeito direto sobre outro dos principais nomes da corrida presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia sinalizado disposição para enfrentar Lula no debate, também decidiu não comparecer após a confirmação da ausência do presidente. A estratégia das duas campanhas deixa vazios os espaços destinados aos dois candidatos no primeiro grande confronto televisivo da eleição.
Por que Lula decidiu não participar?
Nos bastidores, a avaliação da campanha petista é de que Lula seria o principal alvo dos adversários durante o encontro. A equipe do presidente considera que o formato poderia colocá-lo em uma situação de desvantagem, principalmente pela quantidade de candidatos que poderiam direcionar críticas ao governo.
Outro ponto questionado pela campanha foi a presença de candidatos que não teriam participação obrigatória pelo critério de representação partidária no Congresso, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A Band, porém, confirmou os seis nomes inicialmente convidados para o debate.
A emissora havia inicialmente marcado o encontro para 16 de agosto, mas transferiu o debate para o dia 23 em uma tentativa de viabilizar a participação de Lula, que tinha compromisso relacionado ao lançamento oficial de sua candidatura na data original. Mesmo com a mudança, a presença do presidente não foi confirmada.
Flávio queria enfrentar Lula
Flávio Bolsonaro havia retirado as credenciais para participar do debate e aguardava uma definição da campanha petista. Aliados do senador afirmavam que ele estava preparado para o confronto direto com Lula.
A estratégia, entretanto, mudou diante da ausência do presidente. Na avaliação da campanha de Flávio, participar sem Lula poderia ser desvantajoso, já que o senador passaria a ocupar o espaço de principal candidato da direita no palco e poderia se transformar no alvo dos ataques dos demais concorrentes.
A decisão segue uma lógica semelhante à adotada pela campanha de Lula: evitar que o candidato fique isolado diante de vários adversários e exposto a ataques que possam gerar repercussão negativa nas redes sociais.
Debate terá quatro candidatos
Com as ausências de Lula e Flávio, o primeiro debate presidencial de 2026 deverá reunir Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A Band mantém o debate neste domingo (23), com início às 20h, em São Paulo. A transmissão será feita pela emissora e por diferentes plataformas e veículos parceiros.
A ausência dos dois principais nomes da disputa altera completamente o peso político do primeiro confronto. Sem Lula e Flávio no palco, os demais candidatos terão a oportunidade de disputar protagonismo, apresentar propostas e buscar espaço na corrida eleitoral.
O próximo desafio para as campanhas será transformar a ausência no debate em estratégia eleitoral. Enquanto Lula evita um confronto que sua equipe considera desfavorável, Flávio abre mão de uma oportunidade de atacar diretamente o principal adversário e, ao mesmo tempo, evita ficar sozinho como alvo dos demais candidatos.
