Falsos policiais são presos em Guarulhos com arma e uniformes da Polícia Civil

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Alerta de sistema de monitoramento ajudou PM a localizar Jeep Compass; um dos suspeitos tentou fugir a pé.

Quatro homens foram presos na manhã desta sexta-feira (28), em Guarulhos, na Grande São Paulo, após a Polícia Militar localizar um Jeep Compass que circulava com uma placa registrada para outro veículo. Dentro do automóvel, os policiais encontraram uma pistola, munições, celulares e peças de roupa semelhantes às utilizadas pela Polícia Civil, levantando a suspeita de que o grupo pretendia se passar por agentes públicos.

A ocorrência teve início por volta das 7h, na região da avenida Antônio de Souza, nas proximidades da avenida Tancredo de Almeida Neves e da rodovia Presidente Dutra, segundo relatos divulgados sobre a operação. A abordagem foi realizada por policiais do 15º Batalhão da Polícia Militar, em patrulhamento com motocicletas.

Durante a verificação, os agentes constataram que a placa instalada no Jeep Compass correspondia, na verdade, a um Hyundai HB20. Além da identificação veicular incompatível, os policiais encontraram no interior do carro camisetas e bonés com características da Polícia Civil e uma arma de fogo.

Segundo informações a arma apreendida seria uma pistola calibre .38. Um dos ocupantes ainda tentou escapar correndo depois da abordagem, mas acabou alcançado e detido pelos policiais.

Sistema de câmeras ajudou na localização

Um dos pontos que chamam atenção na ocorrência é a participação do sistema de monitoramento integrado do Estado.

As câmeras associadas ao Muralha Paulista possuem tecnologia de leitura automática de placas. Quando um veículo passa por um ponto monitorado e a informação capturada não corresponde aos registros oficiais ou aparece associada a alguma restrição, o sistema pode gerar um alerta para as forças de segurança.

O programa foi criado pelo Governo de São Paulo para ampliar o controle da chamada mobilidade criminal, integrando câmeras públicas e privadas, leitores de placas, reconhecimento facial e outras ferramentas de monitoramento. Em fevereiro deste ano, o governo informou que a rede já reunia cerca de 94 mil câmeras em mais de 300 municípios, incluindo equipamentos capazes de identificar placas de veículos.

A tecnologia também é utilizada para localizar veículos roubados ou furtados e pessoas procuradas pela Justiça. Os alertas são cruzados com bases de dados e podem ser encaminhados às equipes policiais para abordagem.

No caso de Guarulhos, a identificação da placa incompatível foi determinante para que o veículo fosse interceptado.

Roupa de policial aumenta suspeita sobre objetivo do grupo

A presença de uniformes e acessórios semelhantes aos da Polícia Civil acrescenta uma segunda camada à investigação. Segundo informações preliminares divulgadas após a prisão, os suspeitos teriam indicado que pretendiam utilizar as roupas para “fazer cena para ganhar dinheiro”. A finalidade exata, no entanto, ainda não foi esclarecida pelas autoridades.

A polícia deverá investigar se os quatro homens pretendiam utilizar a falsa identificação funcional para abordar vítimas, obter acesso a determinados locais, praticar extorsões, roubos ou realizar algum outro tipo de fraude.

Por enquanto, não é possível afirmar que o grupo tenha cometido outros crimes utilizando os uniformes. Essa possibilidade é justamente uma das questões que deverão ser esclarecidas pela investigação.

O uso de símbolos, uniformes e elementos de identificação policial é particularmente relevante porque a aparência de um agente público pode facilitar a abordagem de vítimas e conferir uma falsa impressão de autoridade.

Veículo, placas, arma e celulares foram apreendidos

Além do Jeep Compass, os policiais recolheram os objetos encontrados durante a abordagem para auxiliar na investigação.

Entre os materiais divulgados estão:

  • uma pistola calibre .380;
  • munições;
  • camisetas semelhantes às da Polícia Civil;
  • bonés com identificação semelhante à da corporação;
  • celulares;
  • placas utilizadas no veículo e a identificação original do automóvel.

A apreensão das placas poderá ajudar a esclarecer se o carro foi deliberadamente utilizado com uma identificação pertencente a outro veículo ou se existe alguma relação com crimes anteriores.

Investigação deve apurar possível ligação com outros crimes

A Polícia Civil deverá analisar celulares, placas, arma e demais materiais apreendidos para tentar identificar a origem dos objetos e reconstruir os deslocamentos dos suspeitos.

Também poderá ser investigado se os quatro homens possuem antecedentes criminais ou ligação com outras ocorrências na região metropolitana. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que eles tenham utilizado as falsas identificações policiais em outros crimes.

A ocorrência foi encaminhada para registro e investigação. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso ainda estava em andamento e que novas informações poderiam ser divulgadas após a conclusão do registro.

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