Após cinco anos corintiano acusado de matar esposa palmeirense a facadas vai a júri em SP

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Leonardo Ceschini é acusado de matar Érica Fernandes com oito golpes de faca após discussão motivada por futebol; casal tinha dois filhos pequenos, que estavam no apartamento.

Cinco anos depois de um crime que ganhou repercussão por envolver uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, começa nesta segunda-feira (31) o julgamento de Leonardo Souza Ceschini, 34, acusado de matar a esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, também de 34 anos, com oito facadas.

O júri popular está marcado para começar às 12h30, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Leonardo responde em liberdade por homicídio doloso qualificado por feminicídio, motivo fútil e meio cruel.

O crime aconteceu em 31 de janeiro de 2021, um dia depois da final da Copa Libertadores, vencida pelo Palmeiras contra o Santos por 1 a 0. Leonardo era torcedor do Corinthians, enquanto Érica apoiava o Palmeiras.

Segundo a acusação, uma discussão entre o casal foi motivada pela rivalidade esportiva. O Ministério Público sustenta que o motivo foi fútil e que a vítima sofreu violência extrema durante o ataque.

Filhos estavam no apartamento

Um dos aspectos mais delicados do caso é que os filhos do casal, irmãos gêmeos, estavam no apartamento quando a mãe foi assassinada. As crianças tinham cerca de dois anos na época.

Segundo laudos psicológicos citados no processo, os meninos presenciaram o homicídio. Atualmente, eles estão sob os cuidados da avó materna, que detém a guarda. A família afirma que as crianças ainda enfrentam as consequências da perda da mãe.

“Os meninos estão com a minha mãe. Ela tem a guarda deles. A cada dia luta e nós lutamos para tentar compensar a tristeza que eles têm de não ter a mãe junto deles a cada momento”, afirmou Aline Oliveira, irmã de Érica.

Para Aline, o julgamento representa uma oportunidade de buscar justiça pela irmã.

“Como irmã, como mulher, como mãe, como tia, eu desejo que de alguma forma o júri sinta a nossa dor e tenha esse mesmo desejo de justiça em prol da Érica, em prol de várias mulheres que são caladas pela violência”, disse.

Vizinhos ouviram gritos

Na noite do crime, moradores do bairro São Domingos, na zona norte da capital, acionaram a Polícia Militar depois de ouvirem gritos vindos do apartamento.

Érica foi encontrada morta e ensanguentada no chão da cozinha. Leonardo também estava ferido. Inicialmente, segundo o relato apresentado à polícia, o empresário afirmou que havia sido atacado pela mulher e que ela teria cometido suicídio. Posteriormente, ele confessou ter matado a esposa.

De acordo com a investigação, Érica foi atingida oito vezes: três facadas no peito, quatro nas costas e uma na perna. A faca utilizada no crime foi apreendida.

Leonardo declarou à polícia que o casal tinha desavenças relacionadas ao fato de torcerem para times diferentes. Ele também afirmou que teria sido ferido pela esposa durante a briga e que conseguiu tomar a faca e golpeá-la. A versão apresentada pelo acusado será analisada pelos jurados durante o julgamento.

Réu está em liberdade

Leonardo chegou a ser preso em flagrante depois do crime, mas deixou a prisão em fevereiro de 2021 por decisão judicial.

Meses depois, em julho daquele ano, o Ministério Público denunciou o empresário pelo assassinato. A Justiça recebeu a denúncia no mesmo mês, tornando Leonardo réu. Em fevereiro de 2024, a Justiça determinou que o acusado fosse submetido a júri popular.

O réu permaneceu em liberdade durante o processo. Segundo a legislação, uma pessoa que responde solta não é obrigada a comparecer ao próprio julgamento. Mesmo que Leonardo não esteja presente, o júri poderá ser realizado. O advogado que representa os interesses da família de Érica, Epaminondas Gomes de Farias, também levantou a possibilidade de o acusado não comparecer.

“Minha expectativa é: será que Leonardo vai ao júri? Ele pode sair preso de lá [se for condenado] e não vai querer arriscar”, afirmou.

A defesa de Leonardo não foi localizada para comentar o julgamento. Durante interrogatório judicial realizado antes do júri, o acusado permaneceu em silêncio.

Como funciona o júri

Casos de crimes dolosos contra a vida, como homicídio, são julgados pelo Tribunal do Júri. Nesses processos, sete jurados formam o conselho de sentença e decidem se o acusado deve ser condenado ou absolvido.

Cabe ao juiz responsável pelo julgamento conduzir os trabalhos e, em caso de condenação, estabelecer a pena conforme a decisão dos jurados e a legislação. O homicídio qualificado pode resultar em pena de prisão de até 30 anos, conforme as circunstâncias reconhecidas no julgamento.

O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido por motivo fútil, relacionado a uma “simples discussão familiar fomentada por rixa esportiva”, e com emprego de meio cruel, em razão da quantidade de golpes desferidos contra Érica.

Cinco anos após a morte, a família agora acompanha o julgamento em busca de uma decisão sobre a responsabilidade criminal de Leonardo pela morte da mulher e mãe de seus dois filhos.

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