PM arquiva investigação e diz não ter encontrado indícios de perseguição a carro de Haddad

0
2023-04-10T184124Z_1_LYNXMPEJ390JI_RTROPTP_4_MACRO-HADDAD-ARCABOUCO

Apuração cruzou imagens, localização de viaturas, registros operacionais e depoimentos; Polícia Civil ainda investiga o episódio.

A Polícia Militar de São Paulo concluiu e arquivou a investigação preliminar que apurava uma suposta perseguição policial ao Ford Fusion utilizado pela campanha de um candidato ao governo do Estado. Após analisar 79 câmeras de segurança e cruzar diferentes registros da corporação, a PM afirmou não ter encontrado elementos que confirmassem as principais alegações apresentadas sobre o episódio.

O procedimento tem 383 páginas e reuniu imagens de câmeras, dados de localização das viaturas, registros operacionais, depoimentos e versões apresentadas pelo motorista do veículo e pelo candidato sobre o que teria acontecido.

A investigação foi aberta para reconstruir a sequência dos fatos e verificar se policiais militares haviam perseguido o carro da campanha, feito o veículo parar de maneira forçada ou determinado que o motorista deixasse o automóvel.

Imagens foram analisadas integralmente

Para estabelecer a cronologia do episódio, os investigadores examinaram imagens de 79 câmeras. Em uma etapa específica, foram considerados 12 arquivos de vídeo provenientes de nove fontes diferentes. Segundo o relatório, os vídeos utilizados na reconstrução foram analisados de forma integral e contínua. Ou seja, a avaliação não se limitou aos fotogramas ou imagens reproduzidas no documento final.

Os investigadores também confrontaram as gravações com os dados de deslocamento das viaturas e informações disponíveis no Sistema Radar, utilizado pela corporação para registrar e acompanhar ocorrências e operações.

Versões não coincidiram com registros

Ao comparar os relatos apresentados pelo motorista e pelo candidato com os elementos reunidos durante a investigação, a PM concluiu que nenhuma das versões analisadas correspondia integralmente à cronologia obtida por meio das imagens e dos registros oficiais.

De acordo com o relatório, as alegações consideradas mais graves — como uma perseguição contínua, o bloqueio do Ford Fusion, o desembarque direcionado ao motorista e uma suposta ordem para que ele deixasse o local — não foram confirmadas pelo conjunto de provas reunido.

A investigação também não identificou elementos que apontassem para uma atuação irregular dos policiais envolvidos.

PM não vê indícios de crime ou infração

Na conclusão, o relatório afirma que não foram encontrados indícios de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum atribuíveis aos policiais militares que foram alvo da apuração.

Os investigadores também entenderam não haver elementos mínimos que justificassem a abertura de sindicância ou de outro procedimento administrativo ou disciplinar contra os agentes.

Diante disso, foi proposto o arquivamento da investigação preliminar. A autoridade responsável acatou a conclusão e determinou o arquivamento do procedimento, com a orientação: “Arquive-se para eventual consulta.” O encerramento da apuração administrativa, porém, não significa o fim de todas as investigações relacionadas ao episódio.

Polícia Civil mantém inquérito aberto

Paralelamente ao procedimento conduzido pela Polícia Militar, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso. A apuração criminal ainda está em andamento e poderá analisar outros elementos e circunstâncias relacionados ao episódio.

Assim, enquanto a investigação interna da PM foi concluída sem apontar irregularidades atribuíveis aos policiais averiguados, a investigação conduzida pela Polícia Civil permanece aberta para esclarecer definitivamente os fatos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *