Aluno de 14 anos denuncia professor por racismo dentro de escola da zona leste.
Adolescente afirma ter sido chamado de “neguinho” durante aula; colégio diz que professor usou a expressão “amiguinho” e abriu sindicância
Um estudante de 14 anos denunciou um professor de história por racismo após, segundo o relato registrado pela família, ter sido chamado de “neguinho” durante uma aula no Colégio Objetivo, unidade do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. O episódio aconteceu na manhã desta terça-feira (1º), em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo pai do adolescente, o professor escrevia o conteúdo na lousa quando percebeu que alguns alunos conversavam e não copiavam a matéria. O docente teria repreendido a turma e elevado o tom de voz.
Ainda segundo o BO, em determinado momento, o professor teria se aproximado do estudante e dito: “E aí, neguinho, você não tem caderno para escrever?”
O adolescente, que estuda na instituição há cerca de oito anos, contou o episódio ao pai após deixar a escola. Durante o intervalo, amigos do aluno também teriam demonstrado indignação e comentado o ocorrido pelos corredores. O caso foi registrado no 30º Distrito Policial, no Tatuapé, como crime de racismo.
Família afirma que aluno voltou às aulas
O pai do estudante afirmou que a família é formada por pessoas pardas e negras e que o tema do racismo sempre foi discutido dentro de casa.
Segundo ele, o adolescente está bem emocionalmente e retornou normalmente às aulas nesta quarta-feira (2). A família, no entanto, pretende que o episódio seja esclarecido e que, caso a acusação seja confirmada, sejam tomadas as medidas cabíveis.
Para o pai, o fato de a situação ter ocorrido dentro de uma escola e envolver um professor aumenta a gravidade do episódio.
“Já é grave o caso de racismo. E aí você qualifica esse caso: é dentro de um ambiente escolar, de uma instituição renomada, contra um aluno, contra uma criança, e ele na posição de um educador, que deveria orientar, deveria disseminar a igualdade”, afirmou.
Colégio apresenta outra versão
Em nota, o Colégio Objetivo afirmou que o professor nega ter chamado o adolescente de “neguinho”.
Segundo a instituição, o aluno estaria adormecido sobre a carteira e, ao se aproximar para acordá-lo, o professor teria utilizado a expressão “amiguinho”, que, de acordo com o colégio, costuma ser usada por ele durante as aulas.
A escola informou que abriu uma sindicância interna para apurar o episódio. Ainda segundo o Objetivo, os pais e o adolescente foram recebidos pela coordenação da unidade Tatuapé e pela coordenação do Ensino Fundamental 2 na tarde de terça-feira.
A instituição também afirmou que, nas apurações iniciais, estudantes que presenciaram a situação não teriam certeza sobre a palavra utilizada pelo professor, devido à semelhança sonora entre as duas expressões.
Investigação deverá esclarecer o que aconteceu
O colégio informou que continuará realizando diligências para esclarecer completamente o episódio e colocou a equipe pedagógica e de psicologia à disposição do estudante e da família.
A instituição também declarou manter políticas de prevenção e enfrentamento à discriminação e a outras formas de violência no ambiente escolar. Enquanto a sindicância interna é realizada, o caso também deverá ser analisado pelas autoridades policiais. A investigação poderá ouvir testemunhas e reunir outros elementos para esclarecer exatamente o que foi dito durante a aula.
Até o momento, há versões diferentes sobre a expressão utilizada pelo professor, e a acusação de racismo ainda depende da apuração dos fatos.
