Operação Frank Mobile prende 15 e apreende celulares em ação contra cadeia de roubos em SP
Maior operação do Estado contra roubo, furto e receptação de celulares mobilizou cerca de 1.700 agentes e cumpriu 84 mandados de busca e apreensão.
A Operação Frank Mobile, considerada a maior ação já realizada em São Paulo para combater a cadeia de roubo, furto e receptação de celulares, prendeu 15 pessoas até a manhã desta quinta-feira (10). Deflagrada em uma força-tarefa entre o Governo de São Paulo e o Ministério Público, a operação mobilizou cerca de 1.700 agentes e teve como alvo receptadores, desmontadores e comerciantes que, segundo as investigações, dão sustentação à circulação ilegal dos aparelhos.
Ao todo, foram cumpridos 84 mandados de busca e apreensão, além de sete mandados de prisão. A operação também resultou em oito prisões em flagrante. Celulares foram apreendidos em endereços no Cambuci e no Shopping Mundo Oriente.
Durante a ação, os agentes também localizaram R$ 122,5 mil em dinheiro, dois cartões bancários, três relógios, notebooks, tablets e pendrives.
Operação mira toda a cadeia do crime
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a estratégia da operação é atingir a estrutura que permite que celulares roubados ou furtados sejam novamente colocados no mercado.
“O objetivo dessa operação é desmontar essa quadrilha. É a maior operação do gênero já feita no Estado de São Paulo”, afirmou.
Segundo Tarcísio, o combate à receptação é considerado uma das frentes para reduzir os roubos nas ruas, já que a existência de compradores cria uma cadeia econômica para os criminosos que praticam os furtos e roubos.
O governador também destacou a integração entre os órgãos de segurança e o uso de inteligência para identificar os responsáveis pela logística e pela movimentação financeira dos aparelhos.
“A quebra da receptação cria um desestímulo à atuação dos marginais na rua, por eles não terem depois com quem comercializar”, disse.
Quatro etapas identificadas pela investigação
De acordo com as autoridades, a investigação identificou diferentes etapas dentro da cadeia criminosa.
A primeira envolve o furto ou roubo dos aparelhos. Depois, os celulares passam para receptadores, que podem atuar no armazenamento e na redistribuição dos produtos.
Na etapa seguinte, criminosos especializados tentam desbloquear os aparelhos e acessar informações das vítimas. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, esse grupo pode tentar entrar em contas pessoais e bancárias, alterar senhas e realizar transferências, empréstimos e outras operações financeiras.
A terceira etapa envolve o desmonte e a adulteração dos celulares. Os aparelhos podem ter peças substituídas, carcaças modificadas e outros componentes alterados para dificultar a identificação da origem.
Por fim, os equipamentos são recolocados no mercado, inteiros ou desmontados para a venda de peças.
“O que acontece: primeiro o ladrão rouba; depois vem aquele pessoal que entra na sua conta, consegue desbloquear o seu celular, entra na sua conta, faz transferência, empréstimo. A terceira fase é o desmonte do celular”, explicou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Segundo ele, a operação busca atingir principalmente os receptadores e demais integrantes responsáveis por manter essa cadeia funcionando.
Inteligência contra a estrutura logística
A comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Glauce Anselmo Cavalli, afirmou que o trabalho desta quinta-feira amplia uma estratégia que já vinha sendo adotada pelas forças de segurança nos locais com maior incidência de roubos e furtos.
“A ideia é enfrentar não somente a prática do ilícito em si, mas toda a cadeia logística”, afirmou.
O secretário-executivo da SSP, coronel Henguel Ricardo Pereira, também destacou a importância de atingir os responsáveis pela compra, desmontagem e revenda dos aparelhos.
“O criminoso só furta e rouba celular porque alguém compra, porque alguém desmonta o celular, porque alguém esquenta o celular e coloca para rodar no mercado novamente”, disse.
Segundo ele, a atuação baseada em inteligência busca atingir a estrutura responsável por manter o ciclo criminoso e contribuir para a redução dos índices de criminalidade.
Investigação identificou quatro núcleos
O promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato, responsável pela operação pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), afirmou que a investigação identificou quatro núcleos dentro da cadeia de receptação e comercialização de celulares.
Os grupos atuariam desde o recebimento dos aparelhos roubados ou furtados até as modificações técnicas e a posterior colocação dos produtos no mercado.
“O nosso objetivo aqui é atacar a cadeia de incentivos logísticos e econômicos que sustentam essa alta incidência de crimes patrimoniais, furtos, roubos, latrocínios e outros delitos dessa natureza”, afirmou o promotor.
Para Rebellato, identificar os comerciantes que dão destino aos celulares é uma das principais estratégias para reduzir o incentivo econômico aos crimes praticados nas ruas.
“A forma mais inteligente da gente combater esse tipo de crime é entendendo quem dá sustentação financeira para isso”, disse.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, destacou a integração entre o Ministério Público e o governo estadual e afirmou que a operação é resultado de um trabalho de investigação e inteligência realizado ao longo do tempo.
“Já conhecemos o esquema, temos muito tempo de investigação, de inteligência, para que se chegasse ao momento de hoje”, afirmou.
Segundo ele, a operação representa a atuação conjunta do Estado e do Ministério Público contra a estrutura responsável por sustentar a criminalidade relacionada aos celulares.
A investigação continua para identificar outros integrantes e aprofundar o papel de cada grupo dentro da cadeia de roubos, receptação, adulteração e comercialização dos aparelhos.
