Jardim Pantanal continua alagado nesta segunda após fortes chuvas; moradores cobram obras de drenagem
Água permanece nas ruas e em áreas do bairro desde sábado; Prefeitura anuncia R$ 59,8 milhões em intervenções, enquanto SP Águas afirma que não houve transbordamento do Rio Tietê.
O Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, continua alagado nesta segunda-feira (14), após as fortes chuvas registradas no sábado (12). A água permanece em diferentes pontos da região e a retirada depende de uma operação de bombeamento, que ainda não foi iniciada porque o nível do sistema de drenagem precisa oferecer condições para evitar o retorno da água ao bairro.
A expectativa das equipes é que o bombeamento possa começar ainda nesta segunda-feira. A Sabesp informou que está apoiando a operação com o empréstimo de equipamentos de bombeamento para auxiliar na retirada da água das áreas alagadas.
O cenário voltou a colocar em evidência um problema que há anos afeta os moradores do Jardim Pantanal: a dificuldade de drenagem em uma região próxima ao Rio Tietê e sujeita a alagamentos durante episódios de chuva intensa.
No último sábado, a equipe náutica da Guarda Civil Metropolitana precisou atuar no atendimento às ocorrências provocadas pelas chuvas, inclusive no resgate de pessoas atingidas pelos alagamentos.
Obras anunciadas, mas problema persiste
No sábado, a Prefeitura de São Paulo informou que o Jardim Pantanal recebe intervenções por meio do Plano Recupera Pantanal, com investimento de R$ 59,8 milhões. O projeto prevê a implantação de novas galerias de drenagem e a pavimentação de 10,4 quilômetros de vias. Também está prevista a construção de um muro de gabião de aproximadamente 845 metros às margens do Rio Tietê.
O pacote inclui ainda ações de zeladoria, fiscalização e reflorestamento, com o plantio de 1.400 mudas de árvores nativas. Apesar das obras anunciadas, o novo episódio de alagamento mantém entre os moradores a cobrança por soluções que consigam impedir que o bairro volte a enfrentar situações semelhantes durante períodos de chuva forte.
A reclamação é de que intervenções de infraestrutura precisam avançar principalmente na drenagem e no escoamento da água. Moradores relatam que, em alguns momentos, ruas recebem pavimentação, mas continuam convivendo com problemas relacionados às galerias de águas pluviais e ao sistema de drenagem.
“Já era uma tragédia anunciada, infelizmente”, afirmou o morador Anderson Silva.
SP Águas diz que Tietê não transbordou
Apesar da associação feita inicialmente entre o alagamento e a elevação do nível do Rio Tietê, a SP Águas informou que não houve extravasamento da calha do rio ao longo da Marginal Tietê durante o episódio. Segundo o órgão, a região do Alto Tietê recebeu aproximadamente 130 milímetros de chuva em 72 horas. Mesmo com o volume elevado, as estruturas que integram o sistema de controle de cheias permaneceram em funcionamento.
De acordo com a SP Águas, os pontos de alagamento registrados na região não foram provocados pelo transbordamento do Tietê, mas pelas condições dos sistemas de drenagem diante da intensidade e da abrangência das chuvas. A diferença é relevante porque indica que o problema não se resume ao nível do rio. O episódio também expõe os limites da infraestrutura de drenagem diante de grandes volumes de chuva em pouco tempo.
Chuva intensa atingiu a capital
O temporal ocorreu em um período de chuvas acima da média em São Paulo. Segundo dados divulgados pela Defesa Civil, o Mirante de Santana, principal estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na capital, registrou 75,4 milímetros em 24 horas.
Até as 9h de sábado, o acumulado de setembro havia chegado a 198,2 milímetros, um dos maiores volumes registrados para o mês na série histórica da cidade. Com a água ainda acumulada no Jardim Pantanal, a prioridade nesta segunda-feira é iniciar a drenagem assim que houver condições para evitar que a água retirada retorne ao bairro.
Para os moradores, entretanto, a emergência atual é apenas parte de um problema maior: a necessidade de garantir que as obras de drenagem anunciadas consigam produzir resultados concretos antes que novos temporais provoquem novamente alagamentos na região.
Orientações da Defesa Civil
Diante da possibilidade de novas chuvas, a Defesa Civil recomenda que a população:
- evite áreas alagadas ou com correnteza;
- não atravesse ruas inundadas;
- fique atenta a sinais de risco em encostas e áreas próximas a córregos;
- procure um local seguro durante temporais;
- acompanhe os boletins e alertas oficiais.
Os moradores podem receber gratuitamente alertas da Defesa Civil por SMS. Para se cadastrar, é necessário enviar o CEP da localidade para o número 40199.
Em situações de emergência, os telefones são 193, do Corpo de Bombeiros, e 199, da Defesa Civil.
O que diz a Sabesp
Em nota, a Sabesp informou que apoia as ações de drenagem no Jardim Pantanal por meio do empréstimo de equipamentos de bombeamento para auxiliar na retirada da água das áreas alagadas.
A companhia também afirmou que suas equipes operacionais permanecem mobilizadas e de prontidão para atender eventuais ocorrências relacionadas aos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que, segundo a empresa, operam normalmente.
