Ausência de Tarcísio esvazia debate e impede confronto direto de ideias na reta final da eleição

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Enquanto Fernando Haddad apresentou propostas sobre transporte e privatizações, o governador optou por transforma debate em uma sabatina.

O debate promovido pela Record nesta segunda-feira (21), que poderia representar um dos principais momentos da reta final da campanha ao Governo de São Paulo, terminou marcado pela ausência do governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sem o principal adversário no palco, o encontro deixou de ser um confronto entre os dois favoritos e se transformou em uma sabatina com Fernando Haddad (PT).

A decisão de Tarcísio provocou críticas de Haddad, que afirmou lamentar a falta de um debate direto entre os candidatos que concentram cerca de 90% das intenções de voto.

“Era uma oportunidade da gente fazer um confronto de ideias para dar ao eleitor a oportunidade de decidir”, disse Haddad durante o evento.

O argumento de Tarcísio

Em nota, a campanha do governador afirmou que a ausência ocorreu porque, nesta etapa da eleição, Tarcísio busca conciliar as responsabilidades do cargo com a agenda eleitoral. Segundo a equipe, o candidato continuará apresentando propostas, prestando contas da gestão e concedendo entrevistas durante compromissos públicos.

Na mesma manhã, Tarcísio participou de um encontro com jovens no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na capital paulista.

Haddad concentra discurso em transporte e privatizações

Sem o adversário para o embate direto, Haddad utilizou o espaço para apresentar suas principais propostas de governo. O petista afirmou que pretende interromper novas privatizações de linhas de metrô e trem, rever contratos de concessão e endurecer cláusulas de desempenho para empresas que operam serviços públicos.

Segundo ele, a prioridade deve ser o interesse do usuário, e não apenas a rentabilidade das concessionárias.

O ex-prefeito também defendeu maior fiscalização sobre contratos públicos e voltou a relacionar sua gestão municipal ao combate a organizações criminosas em setores como transporte e comércio popular, além de citar investigações em andamento envolvendo contratos da administração pública.

O que cada candidatura leva para a disputa

A campanha de Tarcísio chega à reta final defendendo um governo marcado pela ampliação de concessões, investimentos em infraestrutura e parcerias com a iniciativa privada modelo que o governador apresenta como instrumento para acelerar obras e ampliar investimentos no estado.

Já Haddad aposta em uma plataforma de revisão desse modelo, prometendo fortalecer a presença do Estado na gestão do transporte sobre trilhos e ampliar mecanismos de controle sobre empresas concessionárias, argumento sustentado pelas críticas às falhas registradas no sistema ferroviário nos últimos anos.

A ausência também comunica

Em campanhas majoritárias, debates televisivos costumam ser um dos poucos momentos em que os eleitores podem comparar, simultaneamente, propostas, argumentos e capacidade de resposta dos principais candidatos. A opção de um dos favoritos por não participar é uma estratégia eleitoral legítima, mas reduz a possibilidade de confronto público entre projetos distintos de governo.

Na prática, quem perde essa oportunidade é o eleitor, que deixa de assistir ao debate direto entre os dois candidatos que lideram a disputa e representam visões diferentes para o futuro de São Paulo.

O debate promovido pela Record deveria ser um dos momentos mais importantes da campanha ao Governo de São Paulo. Com os dois principais candidatos concentrando a ampla maioria das intenções de voto, era a oportunidade para que milhões de paulistas comparassem projetos, confrontassem promessas e avaliassem quem está mais preparado para governar.

Mas isso não aconteceu.

A ausência do governador Tarcísio de Freitas transformou o encontro em uma sabatina de Fernando Haddad, eliminando justamente o elemento mais valioso de um debate: o contraditório. A justificativa apresentada pela campanha conciliar a agenda de governo com compromissos eleitorais é legítima como estratégia política, mas não elimina um questionamento inevitável: se um candidato pede mais quatro anos de mandato, por que não submeter suas ideias ao principal palco de discussão pública?

O mesmo raciocínio vale para qualquer candidato, independentemente do partido. Debates não existem para favorecer adversários, mas para respeitar o eleitor. É diante das perguntas difíceis, das comparações de resultados e da defesa de propostas que o cidadão consegue decidir não apenas em quem votar, mas por que votar.

Em uma eleição tão polarizada, esconder-se do confronto pode ser uma decisão eleitoral eficiente. Do ponto de vista democrático, porém, significa oferecer menos transparência justamente quando o eleitor mais precisa de respostas.

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