MP denuncia falsos médicos por homicídio após duas mortes em hospital da ZL
Investigação aponta que dupla usava identidades de médicos registrados para atender pacientes, realizar intubações e prescrever tratamentos sem formação em Medicina.
O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta quarta-feira (23), dois homens acusados de se passarem por médicos e provocarem a morte de dois pacientes no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste da capital. A Promotoria pediu à Justiça a prisão preventiva da dupla, denunciada por homicídio qualificado com dolo eventual — quando o investigado assume o risco de provocar a morte.
Segundo a denúncia, os acusados utilizaram as identidades e os registros profissionais de médicos regularmente inscritos para conseguir contratação no hospital. Durante aproximadamente dois anos, eles teriam realizado consultas, diagnósticos, prescrição de medicamentos e procedimentos invasivos, incluindo intubações, mesmo sem possuir formação em Medicina.
Duas mortes são atribuídas ao falso atendimento
A investigação responsabiliza a dupla pela morte de dois pacientes atendidos na unidade.
A primeira vítima, um homem de 66 anos, deu entrada no hospital com um quadro grave de encefalopatia hepática. Laudos do Instituto Médico Legal apontam que ele não recebeu medicamentos essenciais, exames laboratoriais indispensáveis nem o suporte terapêutico adequado, o que teria comprometido suas chances de sobrevivência.
O segundo caso envolve uma mulher que procurou atendimento com insuficiência respiratória aguda e histórico de pneumonia crônica. De acordo com o Ministério Público, houve atraso superior a uma hora para intervenções consideradas fundamentais, além da ausência de exames como radiografia de tórax, falhas que contribuíram diretamente para o agravamento do quadro clínico.
Esquema teria realizado cerca de 2 mil atendimentos
As investigações da Operação Hipócrates II apontam que os falsos médicos participaram de aproximadamente 2 mil atendimentos ao longo de dois anos. A Polícia Civil também apura outras mortes suspeitas relacionadas aos atendimentos realizados pela dupla, que poderão integrar novas fases da investigação.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão para reunir documentos, prontuários e equipamentos eletrônicos que possam comprovar a atuação do grupo.
MP pede indenização às famílias
Além da prisão preventiva, a Promotoria solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 200 mil para cada família das vítimas, como forma de reparação pelos danos causados.
Até o momento, o juiz responsável pelo caso ainda não decidiu sobre o pedido de prisão.
Hospital e Cremesp se manifestam
Em nota, o Hospital de Clínicas Jardim Helena afirmou que foi surpreendido pelas informações da investigação, negou qualquer participação no esquema e informou que instaurou uma sindicância interna assim que tomou conhecimento da fraude.
Já o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) destacou que o exercício ilegal da Medicina é crime e ressaltou que mantém um sistema público para que hospitais e pacientes possam verificar se um profissional possui registro médico válido antes da contratação ou do atendimento.
