Greve da CPTM chega ao fim após acordo entre governo e ferroviários
Assembleia aprova encerramento da paralisação após governo de SP apresentar projeto de lei que garante os empregos dos trabalhadores das linhas concedidas
A greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi encerrada na tarde desta quarta-feira (5), após um acordo firmado entre o Governo de São Paulo e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.
A decisão foi tomada em assembleia realizada após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). Dos 157 ferroviários presentes, 131 votaram pelo fim da paralisação e 26 foram contrários ao acordo.
Com isso, os trabalhadores decidiram retomar as atividades a partir das 16h, permitindo a normalização gradual da operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, afetadas desde a madrugada de terça-feira (4).
A principal reivindicação da categoria era a garantia dos empregos dos cerca de 4,7 mil funcionários que atuam nas três linhas, concedidas à iniciativa privada.
Projeto de lei
Durante as negociações, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou o envio de um projeto de lei à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para assegurar que os empregados da CPTM sejam absorvidos por órgãos e entidades da administração pública estadual.
Segundo o governo, a proposta contempla os trabalhadores das Linhas 11, 12 e 13, além dos funcionários da Linha 10-Turquesa, e busca oferecer segurança jurídica durante o processo de reorganização da companhia.
Em entrevista coletiva, Tarcísio afirmou que a intenção do Executivo sempre foi preservar os postos de trabalho.
“Não vamos mexer com o emprego de ninguém. Essa garantia já havia sido apresentada ao sindicato e agora será formalizada por meio de um projeto de lei”, declarou.
Audiência de conciliação
O entendimento foi alcançado durante audiência realizada no TRT-2, que reuniu representantes do governo estadual, da concessionária e do sindicato.
Além da garantia dos empregos, o acordo prevê uma cláusula de paz entre as partes, suspendendo penalidades relacionadas ao movimento grevista e estabelecendo uma nova audiência para o dia 19 de agosto, quando será analisada a homologação definitiva do acordo coletivo.
Paralisação
A greve começou à meia-noite de terça-feira (4) e afetou cerca de um milhão de passageiros que utilizam diariamente as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Durante a paralisação, o Governo de São Paulo colocou em prática um plano de contingência, com operação parcial dos trens, reforço do sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas de Transporte frente às Situações de Emergência), aumento do efetivo policial nas estações e suspensão do rodízio municipal de veículos na capital para reduzir os impactos aos usuários.
Com o encerramento da greve, a expectativa é de que a circulação dos trens seja restabelecida gradualmente ao longo da noite desta quarta-feira. O Expresso Aeroporto, da Linha 13-Jade, poderá levar mais tempo para retomar a operação normal, conforme a programação da concessionária.
