Ex-PMs são julgados por morte de adolescente em São Paulo; acusação aponta execução à queima-roupa

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PM Adriano Campos (à esquerda) é acusado de matar o adolescente Guilherme Guedes com a ajuda do ex-PM Gilberto Rodrigues — Foto: Reprodução

Dois ex-policiais militares respondem por homicídio triplamente qualificado, e um deles já havia sido absolvido em julgamento posteriormente anulado pelo TJ-SP

Dois ex-policiais militares são julgados nesta terça-feira (11) pela morte do adolescente Guilherme, assassinado em junho de 2020, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o Ministério Público, a vítima foi baleada à queima-roupa na boca e no crânio.

O corpo do adolescente foi localizado posteriormente em Diadema, na Grande São Paulo. Os réus são Adriano e Gilberto, que atualmente não fazem mais parte da Polícia Militar. Os dois foram expulsos da corporação após responderem a processos disciplinares por infrações consideradas graves.

De acordo com a acusação, os dois participaram do assassinato. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Em caso de condenação, a pena prevista para o homicídio qualificado pode chegar a 30 anos de prisão.

Primeiro julgamento foi anulado

O processo que apura a morte de Guilherme chegou a ser dividido em duas ações, uma para cada acusado. Em 2021, Adriano, que estava preso na época, foi levado a júri e absolvido pela maioria dos jurados. Depois da decisão, ele foi colocado em liberdade e passou a responder ao processo fora da prisão.

Gilberto não participou daquele julgamento porque estava foragido. No ano seguinte, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu um recurso da acusação e anulou o júri que havia absolvido Adriano.

Os desembargadores entenderam que a decisão dos jurados contrariava as provas apresentadas no processo, especialmente em relação à presença de Adriano nas proximidades de Guilherme antes do assassinato. Com a anulação, foi determinado um novo julgamento.

A defesa de Adriano, formada pelos advogados Renato Soares e Mauro Ribas, contesta a decisão que anulou o primeiro júri. Em nota, os defensores afirmaram que a medida fragiliza a soberania dos veredictos. Para o novo julgamento, a defesa sustenta que as provas demonstrarão que Adriano não participou do crime.

Ex-PM era foragido da Justiça

Gilberto integrava o 37º Batalhão da Polícia Militar, na Zona Sul da capital. Antes mesmo da morte de Guilherme, ele já era procurado pela Justiça.

Segundo as informações do processo, o então policial estava foragido desde 2015, quando fugiu do Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Na ocasião, ele teria pulado o muro da unidade junto com outro ex-policial que também estava preso por homicídio.

Depois de ser expulso da PM, Gilberto passou a trabalhar para Adriano, que era proprietário de uma empresa de segurança. O ex-PM foi preso em maio de 2021, em Peruíbe, no litoral paulista. Ele também é investigado pela participação em outros assassinatos ocorridos na capital.

Segundo as investigações mencionadas no processo, há suspeitas de envolvimento de Gilberto em 49 mortes, sendo 29 delas na região do Campo Limpo e outras 20 no Capão Redondo, entre 2012 e 2013. Essas acusações, no entanto, são objeto de outras investigações e não significam condenação pelos crimes.

Defesa nega participação

O advogado Damilton Oliveira, que defende Gilberto, nega que o cliente tenha participado do assassinato de Guilherme.

“A defesa do Gilberto nega em absoluto essa acusação. Ele não tem nada a ver com isso.”

Segundo o advogado, as provas apresentadas durante o julgamento deverão demonstrar a inocência do ex-policial.

Os dois réus deverão comparecer ao Tribunal do Júri nesta terça-feira (11), quando os jurados vão analisar as provas e os argumentos apresentados pela acusação e pelas defesas.

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