Polícia Civil deflagra operação contra quadrilha especializada no ‘golpe do falso advogado’

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Envolvidos usavam aplicativos de mensagens para enganar vítimas, afirmando que elas haviam ganhado processos.

A Polícia Civil prendeu três pessoas suspeitas de integrar uma associação criminosa especializada no “golpe do falso advogado”. As prisões aconteceram nesta terça-feira (11), na região de Itaquera, na Zona Leste da capital paulista, durante a Operação Apate.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Dois investigados estão foragidos e seguem sendo procurados.

A investigação começou após uma vítima de Barretos, no interior do estado, registrar um boletim de ocorrência sobre o golpe. O mecânico, de 47 anos, recebeu uma mensagem por aplicativo de um suspeito que se passava por seu advogado. O homem afirmou que a vítima havia ganhado um processo judicial e que, para receber o dinheiro da causa sem pagar impostos extras, deveria realizar uma transferência de quase R$ 10 mil.

Antes de concluir a transferência, o mecânico percebeu que se tratava de um golpe. No entanto, chegou a clicar no link enviado pelo suspeito, o que resultou em prejuízo financeiro.

Depois de cerca de seis meses de apurações, os policiais identificaram cinco investigados, sendo quatro homens e uma mulher, que atuariam de forma coordenada para aplicar fraudes eletrônicas.

Segundo a investigação, os suspeitos usavam aplicativos de mensagens, chamadas de vídeo e compartilhamento de tela, além de imagens com símbolos e referências ao Poder Judiciário. A estratégia era criar uma aparência de legitimidade para convencer as vítimas de que existiam valores judiciais disponíveis.

Os criminosos também teriam utilizado, sem autorização, imagens e dados de profissionais da advocacia, além de informações processuais e pessoais obtidas de forma ilícita. Pesquisas sobre advogados de diferentes estados e contatos com possíveis vítimas também faziam parte da estratégia para aumentar a credibilidade das abordagens.

As provas reunidas apontam ainda para uma divisão de tarefas entre os integrantes e o compartilhamento de recursos tecnológicos usados na execução das fraudes.

Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares, computadores, dispositivos de armazenamento digital, documentos e outros materiais que poderão auxiliar no aprofundamento das investigações.

Três investigados, com idades entre 23 e 25 anos, foram presos. Outros dois suspeitos ainda são procurados. A Polícia Civil também identificou indícios de envolvimento da associação em outras fraudes eletrônicas e possíveis conexões com ocorrências registradas em unidades policiais de diferentes municípios brasileiros.

O nome da operação faz referência a Apate, figura da mitologia grega associada ao engano, à fraude e à dissimulação, em alusão ao modo de atuação utilizado pelo grupo para induzir as vítimas ao erro e obter vantagens financeiras.

Todo o material apreendido será periciado. A ação foi coordenada pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Barretos, onde os casos estão sendo registrados. Equipes especializadas do Grupo de Operações Especiais (GOE), Grupo Especial de Reação (GER) e Divisão de Capturas prestaram apoio. As investigações para localizar os demais envolvidos prosseguem.

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