Haddad relata abordagem da PM e diz que motorista foi seguido por cerca de 40 minutos

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De acordo com o candidato, os policiais iluminaram seu rosto quando ele saiu do veículo em frente à residência.

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, relatou nesta quinta-feira (13) que foi abordado de forma ostensiva por policiais militares na noite anterior, quando chegava em casa, na zona sul da capital. Segundo ele, os agentes não pediram documentos nem conversaram com ele, mas jogaram luzes em seu rosto. Na sequência, ainda de acordo com o relato, a mesma viatura teria seguido seu motorista por cerca de 40 minutos.

Haddad afirmou que o episódio ocorreu por volta das 22h30. Em evento na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em São Paulo, o petista disse inicialmente ter imaginado que se tratava de uma ronda policial. A situação, segundo ele, ganhou outra dimensão na manhã seguinte, quando seu motorista contou ter sido acompanhado de maneira ostensiva durante o trajeto para casa.

“Estava chegando na minha casa, por volta das 22h30, quando meu carro foi abordado por um carro da Polícia Militar de uma forma ostensiva, mas rápida”, afirmou Haddad.

De acordo com o candidato, os policiais iluminaram seu rosto quando ele saiu do veículo em frente à residência. Como não houve conversa ou solicitação de documentos, Haddad entrou em casa e não deu maior importância ao episódio naquele momento. Segundo o advogado da campanha, Hélio Silveira, o motorista passou a ser acompanhado pela mesma viatura. O carro da PM teria emparelhado com o veículo em alguns momentos e, em outros, utilizado o facho de luz contra o automóvel.

Durante o trajeto, o motorista decidiu parar em frente a um hotel nas proximidades da avenida 23 de Maio para tentar entender o motivo do acompanhamento. Segundo Silveira, o funcionário entrou no estabelecimento e, ao perceber que a viatura permanecia no local, foi conversar com os policiais. Ainda conforme o advogado, os agentes teriam apenas dito ao motorista: “Vaza daqui”. Em seguida, a viatura teria deixado o local e seguido por outro caminho.

O motorista também relatou que, em determinado momento, o carro da PM chegou a encostar no para-choque do veículo. Segundo Silveira, o funcionário afirmou ainda ter visto que os policiais portavam fuzis.

Haddad classificou o episódio como “desagradável” e afirmou que pretende levar o caso ao governo estadual para esclarecer o motivo da abordagem e do acompanhamento.

“Não sei o que aconteceu, espero e quero crer que tenha havido alguma confusão, mas meu motorista ficou muito assustado. Então vamos levar essas informações ao governo do estado para resguardar a segurança das pessoas que me acompanham e minha própria segurança”, disse.

O candidato afirmou que não descarta a possibilidade de ter ocorrido uma coincidência ou algum tipo de confusão, mas defendeu a apuração do caso.

“Pode ter sido uma coincidência, uma confusão, mas tem que haver no mínimo uma apuração para saber o que aconteceu. Espero que não seja nada”, afirmou.

A campanha de Haddad informou que pretende questionar o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário do petista na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, para saber se a operação foi solicitada e qual teria sido sua motivação.

“Se eu não torno público isso e amanhã acontece alguma coisa, não temos nem por onde começar”, disse Haddad.

O petista também afirmou que a ação não pareceu seguir um procedimento policial habitual. “Não se pediu documento, nada”, declarou.

A Secretaria da Segurança Pública informou que determinou a apuração do caso. Segundo a pasta, o secretário Osvaldo Nico Gonçalves entrou em contato com Haddad para obter informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada.

“A fim de contribuir na investigação, qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado”, afirmou a secretaria em nota.

Até a publicação deste texto, não havia sido informado o motivo da abordagem nem se os policiais envolvidos já haviam sido identificados.

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