Guarulhos é alvo de operação contra golpe do falso advogado que tinha idosos como vítimas
Polícia Civil prende cinco suspeitos e apreende celulares e computadores; grupo usava dados reais de processos judiciais para convencer vítimas a transferir dinheiro.
A cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi um dos principais alvos da Operação CID-alpha9, deflagrada nesta terça-feira (1º) pela Polícia Civil contra uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado golpe do falso advogado. Cinco pessoas foram presas durante a ação, que também teve diligências em Poá e em bairros da zona leste da capital.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itapetininga e tem como foco um grupo que, segundo a polícia, tinha pessoas idosas entre as principais vítimas.
Ao todo, a Justiça autorizou oito mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As medidas foram cumpridas em diferentes endereços. A operação mobilizou 81 policiais civis e 27 viaturas, com apoio da Delegacia Seccional de Itapetininga, do GARRA e do GER, ambos ligados ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE).
Como funcionava o golpe
As investigações começaram depois que um homem com mais de 80 anos procurou as autoridades após ser abordado por criminosos que tinham informações verdadeiras sobre um processo judicial.
De posse desses dados, os suspeitos teriam se apresentado como advogados ou pessoas ligadas à representação jurídica da vítima. A utilização de informações reais dava aparência de legitimidade ao contato e ajudava a convencer o alvo de que se tratava de uma comunicação verdadeira.
Segundo a Polícia Civil, o idoso acabou sendo induzido a realizar movimentações financeiras e transferências de dinheiro que beneficiaram os investigados.
Com o avanço da apuração, os investigadores encontraram indícios de que o caso não era isolado. A polícia identificou possíveis golpes semelhantes contra vítimas de outras comarcas e até de outros estados, indicando uma atuação que poderia ser mais ampla do que a inicialmente descoberta.
Celulares e computadores são apreendidos
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos que podem ter sido utilizados na preparação ou execução das fraudes.
O material será submetido à análise. A expectativa dos investigadores é encontrar novas informações sobre a atuação do grupo, identificar possíveis vítimas e descobrir outros integrantes da organização.
As informações armazenadas nos equipamentos também poderão ajudar a reconstruir como os criminosos obtinham os dados dos processos judiciais utilizados nas abordagens.
Justiça bloqueia veículos e contas
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de quatro veículos relacionados aos investigados e de contas bancárias que, segundo a investigação, teriam recebido valores transferidos pelas vítimas.
A medida tem como objetivo evitar que os recursos sejam movimentados ou ocultados e preservar valores que eventualmente possam ser utilizados para reparar os prejuízos provocados pelos golpes.
Investigação continua
Apesar das cinco prisões realizadas nesta terça-feira, a Polícia Civil ainda trabalha para identificar outros possíveis integrantes do esquema.
Os investigadores também deverão analisar os equipamentos apreendidos para descobrir a quantidade de vítimas, os valores movimentados e a extensão territorial da atuação do grupo. A Operação CID-alpha9 recebeu esse nome durante a investigação conduzida pela DIG de Itapetininga. As prisões foram formalizadas na 1ª Delegacia de Capturas do DOPE.
A apuração permanece em andamento.
