Caixa entra em greve nacional e Banco do Brasil tem paralisação parcial nesta quinta
Paralisação começa nesta quinta (10) por tempo indeterminado; impasse envolve o custeio dos planos de saúde dos funcionários.
Bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado. Na Caixa, a paralisação foi aprovada em 93 bases sindicais e tem caráter nacional. No Banco do Brasil, o movimento é parcial, com 27 sindicatos tendo aprovado a greve.
A paralisação ocorre mesmo após a categoria ter fechado, nesta quarta-feira (9), a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que garante reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil bancários. O acordo prevê aumento correspondente ao INPC acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, mais 0,6% de ganho real. O índice exato será conhecido nesta sexta-feira (11).
O mesmo percentual de reajuste será aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche. A categoria também terá direito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), com antecipação prevista para setembro e pagamento do restante até março de 2027.
Plano de saúde é motivo do impasse
O principal motivo da greve nos dois bancos públicos está relacionado ao custeio dos planos de saúde dos empregados.
Na Caixa, a proposta apresentada pelo banco previa elevar a contribuição dos funcionários. Atualmente, segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, os empregados pagam 3,5% do salário-base, além de R$ 480 mensais por dependente. A proposta elevaria esses valores para 5,5% do salário e R$ 870 por dependente, chegando a R$ 1.050 para dependentes de determinadas faixas etárias.
A proposta foi rejeitada em grande parte das assembleias. Segundo a apuração mais recente, 93 bases aprovaram a greve, enquanto outras 35 rejeitaram a proposta, mas optaram pela continuidade das negociações. O banco, por sua vez, afirma que mantém o diálogo aberto com as entidades sindicais.
No Banco do Brasil, o impasse também envolve o plano de saúde. Uma proposta previa um aporte de R$ 360 milhões para a manutenção do plano até novembro. Ao todo, 39 sindicatos aprovaram a proposta, enquanto 60 rejeitaram e decidiram continuar negociando. Outros 27 aprovaram a paralisação a partir desta quinta-feira.
Como fica o atendimento aos clientes
Com a greve, o funcionamento das agências poderá ser afetado nas localidades onde houver adesão dos trabalhadores. Os bancos orientam os clientes a priorizar os canais digitais, aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, correspondentes bancários e atendimento telefônico.
No caso do Banco do Brasil, o banco informou que continuará oferecendo atendimento por canais digitais e remotos e orientou os clientes a utilizarem essas alternativas durante o período de paralisação.
A orientação dos sindicatos é que os bancos garantam alternativas para que clientes possam realizar pagamentos de contas, boletos, tributos e outros compromissos financeiros durante a greve.
Negociações continuam
Apesar do início da paralisação, as negociações não estão encerradas. A Caixa reabriu as tratativas com as entidades representativas na quarta-feira (9), e o Banco do Brasil também retomou as negociações.
A categoria afirma que a assinatura da convenção coletiva representa uma conquista importante, mas que os problemas específicos dos funcionários dos bancos públicos, principalmente relacionados aos planos de saúde, ainda precisam ser resolvidos.
