Greve dos Correios continua nesta terça-feira e expõe impasse entre trabalhadores e estatal

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Paralisação é por tempo indeterminado; TST determinou manutenção de 80% do efetivo e julgamento do dissídio está marcado para 21 de setembro.

A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta terça-feira (15) em diferentes regiões do país e, até o momento, não há previsão para o encerramento da paralisação. O movimento começou na sexta-feira (11), depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela estatal durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

O principal ponto de conflito está relacionado ao plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), a categoria reivindica a preservação de direitos e garantias e afirma que a empresa pretende promover mudanças no benefício.

A entidade afirma que foram realizadas sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve acordo. Diante do impasse, os sindicatos decidiram pela paralisação.

TST determina funcionamento mínimo

Com o início da greve, os Correios recorreram ao TST. Em decisão liminar, o tribunal determinou que pelo menos 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade ou estabelecimento durante a paralisação.

A determinação alcança áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos ou de suporte considerados indispensáveis à continuidade dos serviços postais. O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST. Até lá, empresa e trabalhadores ainda podem chegar a um acordo.

Agências continuam abertas

Os Correios afirmam ter acionado o Plano de Continuidade de Negócios para tentar reduzir os efeitos da paralisação. Entre as medidas estão o deslocamento de funcionários administrativos para atividades operacionais, remanejamento de veículos e realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas.

Segundo a estatal, as agências continuam abertas ao público. A empresa, porém, não informou quais regiões poderão sofrer maiores impactos nem se haverá alteração nos prazos de entrega. Para situações específicas, os clientes podem procurar os Correios pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210, além dos canais digitais da empresa.

Greve acontece em meio à crise financeira

A paralisação ocorre em um momento delicado para a estatal. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registraram prejuízo de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.

A empresa também trabalha para obter um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, operação que ocorre menos de um ano depois de uma injeção de R$ 12 bilhões contratada no fim de 2025. O cenário financeiro aumenta a pressão sobre as negociações, justamente quando trabalhadores e direção estão em lados opostos em relação ao acordo coletivo e ao futuro do plano de saúde.

O que acontece agora?

Até o julgamento do TST, a greve permanece em andamento, mas com a obrigação de manutenção de 80% do efetivo em cada unidade. A categoria afirma que continuará mobilizada enquanto não houver uma proposta considerada satisfatória. Os Correios, por sua vez, dizem respeitar o direito de greve, mas ressaltam que a paralisação acontece em um momento de forte pressão financeira e operacional.

O próximo marco será 21 de setembro, quando o TST deverá analisar o dissídio coletivo. Até essa data, entretanto, um acordo entre as partes ainda pode colocar fim à paralisação.

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