Jardim Pantanal chega ao 4º dia de alagamentos e moradores enfrentam casas invadidas pela água

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Chuvas deixaram ruas submersas desde sábado (12); moradores relatam perdas, dificuldade para trabalhar e acúmulo de lixo. Região tem histórico de enchentes e voltou a enfrentar o problema fora do período tradicional de verão.

SÃO PAULO — O Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, chegou nesta terça-feira (15) ao quarto dia consecutivo de alagamentos. A água permanece acumulada em diversas ruas desde sábado (12), atingindo imóveis e dificultando a saída dos moradores para trabalhar, estudar e acessar serviços básicos.

Mesmo sem chuva nas primeiras horas desta terça, ruas da região do Itaim Paulista continuavam cobertas pela água. No cruzamento das ruas Salsa Parrilha e Anuja, moradores precisavam atravessar trechos alagados para deixar suas casas. Em alguns imóveis, a água já entrou nos cômodos. O morador Luís, que vive há anos no bairro, relatou ter perdido cama, guarda-roupa, roupas e outros objetos depois que a água atingiu a sala e a garagem.

Para quem precisa sair para trabalhar, a rotina também virou um desafio. Eberson contou que encontrou a água na altura dos joelhos diante de sua casa. Nesta terça, deixou a mulher, que está doente, e os três filhos no imóvel enquanto seguia para o trabalho.

“É o medo de perder as coisas dentro de casa. Eu saio para trabalhar e tenho que levantar as coisas, e a mulher também está doente”, relatou.

Na Rua Tietê, moradores improvisaram estratégias para conseguir chegar ao trabalho. Adilson acompanhou a mulher carregando uma bolsa com roupas para que ela pudesse se limpar e trocar de roupa depois de atravessar a área alagada.

Segundo ele, os moradores já estão acostumados a retirar móveis e objetos do chão sempre que chega o período de chuvas. Desta vez, porém, o alagamento surpreendeu por ocorrer ainda em setembro, fora do período em que tradicionalmente as enchentes se intensificam.

Problema que se repete

O Jardim Pantanal convive há décadas com alagamentos. A região abriga cerca de 45 mil pessoas e está próxima ao Rio Tietê, que contorna o bairro.

A situação desta semana chama atenção também pelo momento do ano. As enchentes ocorreram após chuvas registradas ainda no inverno, antecipando um problema que normalmente ganha força durante o verão. Além dos danos aos imóveis, moradores relatam dificuldades na coleta de lixo. Caminhões não conseguiram acessar algumas ruas, provocando o acúmulo de resíduos em meio à água.

Na segunda-feira (14), quando a região já acumulava mais de 60 horas de alagamento, parte das famílias deixou suas casas. Outras permaneceram ilhadas.

Uma escola estadual localizada a cerca de três quilômetros do bairro foi transformada em abrigo e recebeu 12 famílias.

Prefeitura utiliza bombas para retirar água

Segundo a Prefeitura de São Paulo, equipes realizaram o bombeamento da água em cinco pontos da região na segunda-feira. O sistema de bombeamento do pôlder do Jardim Pantanal também foi acionado durante o fim de semana.

Equipes da Prefeitura e da Sabesp utilizaram bombas para retirar a água acumulada e lançá-la no Rio Tietê. O nível elevado do rio, entretanto, dificulta o escoamento. A administração municipal afirma que, desde dezembro de 2025, 789 famílias foram retiradas de áreas consideradas de risco por meio do Plano Recupera Pantanal. Ao todo, 1.021 famílias foram cadastradas em programas de assistência social.

A Prefeitura também informa que a região recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção.

CPI apontou falta de ações contínuas

Os alagamentos do Jardim Pantanal foram alvo de uma CPI na Câmara Municipal de São Paulo. O relatório final, concluído em junho deste ano, apontou que as enchentes são resultado da combinação de fatores ambientais e urbanísticos e da falta de ações integradas e contínuas do poder público ao longo de décadas.

O governo estadual afirma que já retirou mais de 370 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê com o objetivo de ampliar a capacidade de escoamento na região.

Ainda assim, a água permanece nas ruas.

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