PF desarticula esquema de cocaína escondida em cosméticos que saíam de Guarulhos para a Alemanha
Operação Anticaspa monitorou carga desde uma casa em Diadema até um depósito em Berlim; sete suspeitos foram presos no Brasil e no exterior.
A Polícia Federal brasileira e a polícia federal da Alemanha deflagraram nesta terça-feira (15) uma operação contra um grupo suspeito de usar produtos de uma empresa brasileira de cosméticos para transportar cocaína para a Europa pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Batizada de Operação Anticaspa, a investigação revelou um esquema internacional que envolvia a preparação da droga na Grande São Paulo, o envio da carga pelo aeroporto de Guarulhos e o recebimento dos produtos na Alemanha. A ação contou com a participação do Bundeskriminalamt (BKA), a polícia federal alemã, e apoio de autoridades portuguesas.
No Brasil, a PF cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. Três dos quatro alvos de prisão foram localizados no país. O quarto investigado estava foragido.
Na Alemanha, outras três pessoas foram presas em um depósito em Berlim. Um quarto suspeito que havia fugido foi posteriormente localizado e preso na Turquia. Ao todo, sete pessoas foram detidas no Brasil e no exterior durante a operação.
Cocaína era escondida nos cosméticos
Segundo a investigação, o grupo adquiria produtos de uma empresa brasileira de cosméticos e utilizava as mercadorias para ocultar a cocaína.
A droga era escondida nas embalagens e também no próprio conteúdo dos produtos, antes que a carga fosse encaminhada para exportação. A PF identificou ainda a empresa responsável pela importação dos produtos na Alemanha. Segundo os investigadores, o proprietário dessa empresa já respondia a processos criminais no país europeu.
A investigação começou depois que a PF recebeu informações sobre a movimentação suspeita. A partir das diligências, os investigadores passaram a contar com a colaboração de autoridades portuguesas e do BKA.
PF acompanhou a carga até a Europa
Com autorização da Justiça Federal em Guarulhos, os policiais realizaram uma ação controlada para acompanhar a operação antes de realizar as prisões.
Os investigadores monitoraram a retirada dos produtos e a ocultação da cocaína em uma residência de alto padrão em Diadema, na Grande São Paulo. A carga foi então levada até o Terminal de Exportações do Aeroporto Internacional de Guarulhos (TECA-AIG), onde foi embarcada com destino à Europa.
Antes de chegar à Alemanha, a remessa passou por Lisboa, em Portugal. Policiais portugueses realizaram um teste preliminar que confirmou a presença de cocaína. Mesmo após a identificação da droga, o acompanhamento prosseguiu para permitir que os investigadores chegassem a outros integrantes do esquema.
A carga seguiu para Berlim, onde policiais alemães acompanharam o transporte até um depósito. No local, três suspeitos foram presos. Um quarto investigado conseguiu fugir inicialmente, mas acabou localizado posteriormente na Turquia.
Quantidade da droga ainda não foi divulgada
A Polícia Federal ainda não informou o peso total da cocaína apreendida.
Segundo a corporação, a perícia da polícia alemã realiza exames para determinar a quantidade líquida do entorpecente encontrado na carga. No Brasil, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF identificou quatro investigados e cinco endereços relacionados ao grupo. As equipes cumpriram as ordens judiciais nesta terça-feira.
A operação recebeu o nome Anticaspa em referência aos produtos utilizados pelos suspeitos para ocultar e transportar a cocaína.
Guarulhos no centro de uma rota internacional investigada
A operação chama atenção para o uso do Aeroporto Internacional de Guarulhos como ponto de saída de uma carga de cocaína destinada ao mercado europeu.
Neste caso, entretanto, a investigação não aponta envolvimento da concessionária que administra o aeroporto. O que a PF identificou foi uma cadeia criminosa que teria utilizado o sistema de exportação para inserir a carga ilícita em uma remessa comercial. O caso também mostra a dimensão internacional da investigação: a droga teria sido preparada na Grande São Paulo, passou pelo aeroporto de Guarulhos, transitou por Portugal e terminou sendo monitorada até um depósito em Berlim.
Para a Polícia Federal, a cooperação entre os países foi fundamental para acompanhar a carga e identificar integrantes que estavam fora do Brasil.
