Brasil vence a Austrália por 4 a 2 e mostra evolução no segundo teste da era Ancelotti
Depois do empate por 1 a 1 na semana passada, Seleção muda a estrutura, reage após sofrer a virada e termina a Data Fifa com sinais de evolução.
O Brasil deixou Brisbane com uma vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, nesta terça-feira (29), no segundo confronto entre as equipes nesta Data Fifa. Mais do que o resultado, a partida apresentou uma diferença importante em relação ao empate por 1 a 1 de quatro dias antes: Carlo Ancelotti modificou a estrutura da equipe, aumentou o número de jogadores no meio-campo e terminou a partida com uma formação mais agressiva e dinâmica.
O primeiro jogo, em Townsville, havia exposto algumas dificuldades. A Austrália teve mais posse de bola no primeiro tempo, enquanto o Brasil encontrou problemas para controlar o meio e transformar a superioridade técnica individual em domínio coletivo. O gol australiano saiu em uma cobrança de falta e o empate brasileiro só veio nos acréscimos, com Rayan.
Quatro dias depois, o roteiro foi diferente.
A principal mudança aconteceu no meio-campo
Ancelotti promoveu sete alterações em relação à equipe que começou o primeiro amistoso. A formação passou a contar com Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo no meio, com Rayan, Raphinha e Vinícius Júnior no ataque.
A mudança teve um efeito claro: o Brasil passou a ter mais uma referência por dentro para construir as jogadas e não depender exclusivamente da velocidade dos atacantes. O próprio Ancelotti apontou posteriormente a necessidade de observar novos jogadores para o setor e destacou que o meio-campo é uma das posições que exigem atenção na formação dessa nova geração.
É um ponto importante para entender o momento da Seleção.
O Brasil não está apenas tentando ganhar amistosos. O ciclo iniciado depois da Copa do Mundo de 2026 tem como horizonte a formação de uma equipe para os próximos anos, e isso significa testar jogadores, funções e estruturas.
O Brasil começou bem, mas voltou a sofrer com erros
O gol de Vanderson, logo aos dois minutos, parecia indicar uma partida controlada.
Mas o Brasil voltou a apresentar um problema observado no primeiro confronto: perdeu intensidade e cometeu erros técnicos durante a partida. A Austrália empatou em uma jogada de bola parada e virou depois de um erro brasileiro na saída de bola. Rayan tentou recuar e entregou a posse ao adversário, que rapidamente construiu o segundo gol.
Em pouco mais de meia hora, o Brasil havia saído na frente e permitido a virada.
Esse trecho da partida é talvez um dos principais pontos de atenção para Ancelotti. Uma seleção que pretende controlar partidas contra adversários de diferentes estilos não pode depender apenas da capacidade de reação quando o jogo sai do roteiro.
A resposta no segundo tempo foi diferente
A principal resposta veio depois do intervalo.
Endrick entrou no lugar de Raphinha, que deixou o campo com desconforto na coxa direita, e o Brasil passou a encontrar mais espaços.
Estêvão também ganhou participação na construção ofensiva e a equipe passou a pressionar mais a Austrália.
Aos 23 minutos, a combinação entre Vini Jr., Endrick e Bruno Guimarães resultou no terceiro gol brasileiro. Depois, Vinícius Júnior criou a própria jogada e sofreu o pênalti que ele mesmo converteu para fechar o placar em 4 a 2.
A diferença em relação ao primeiro jogo está justamente nessa capacidade de modificar o comportamento durante a partida. No primeiro amistoso, o Brasil precisou buscar o empate no fim. Desta vez, mesmo depois de sofrer a virada, conseguiu reorganizar a equipe e construir uma reação.
Vini Jr. ainda é uma questão importante
Vinícius Júnior marcou o quarto gol, mas a atuação também mostra um aspecto que continuará sendo acompanhado.
No primeiro confronto, o atacante teve dificuldades para participar ofensivamente e acabou substituído no segundo tempo. Nesta terça, começou novamente de forma discreta, mas cresceu na etapa final e decidiu o jogo com uma jogada individual e uma cobrança de pênalti.
Para a Seleção, recuperar a capacidade de Vini de produzir regularmente pode ser um dos elementos importantes desse novo ciclo. Mas o desafio não é simplesmente fazer o atacante resolver as partidas. O objetivo passa por criar um sistema capaz de produzir situações ofensivas para ele e para os demais jogadores.
Os jovens começam a ganhar espaço
Outro ponto importante dos dois amistosos é a quantidade de jogadores jovens testados por Ancelotti.
Rayan marcou no primeiro jogo e voltou a ser titular no segundo. Gabriel Bontempo iniciou a partida desta terça-feira. Estêvão e Endrick participaram da reação brasileira.
Esse processo mostra que o técnico está utilizando os amistosos para ampliar o grupo disponível e avaliar diferentes combinações.
A questão agora é transformar essas experiências em uma estrutura mais estável.
Testar jogadores é parte natural de um novo ciclo. O desafio seguinte é descobrir quais deles conseguem sustentar o nível de atuação contra adversários mais fortes e em partidas de maior pressão.
O que o Brasil leva dos dois jogos?
Os dois confrontos contra a Austrália podem ser analisados praticamente como um laboratório em duas etapas.
No primeiro jogo, o Brasil teve dificuldades para controlar o meio, sofreu com a intensidade australiana e precisou de um gol nos acréscimos para evitar a derrota. No segundo, Ancelotti mudou a equipe, reforçou o meio-campo, utilizou jogadores diferentes e conseguiu uma reação depois de sofrer dois gols.
Isso não significa que os problemas estejam resolvidos.
Pelo contrário: os seis gols da partida também expuseram fragilidades defensivas e erros de construção que precisam ser corrigidos.
A Austrália conseguiu marcar duas vezes e virar o jogo mesmo depois de sofrer o primeiro gol. O Brasil também precisou de uma cobrança de pênalti para ampliar sua vantagem no fim.
O próximo desafio é transformar teste em identidade
O Brasil ainda terá outro amistoso nesta Data Fifa: enfrenta a Índia no sábado (3), em Calcutá. Depois, a Seleção seguirá seu processo de preparação para o novo ciclo internacional.
O desafio de Ancelotti será cada vez menos encontrar respostas isoladas e cada vez mais construir uma identidade coletiva.
Quem joga no meio?
Qual será o sistema principal?
Como o Brasil pretende pressionar?
Como vai reagir quando perder a bola?
Como proteger a defesa sem retirar jogadores do ataque?
E, principalmente, como integrar os jovens que estão chegando aos jogadores que já carregam maior responsabilidade na Seleção?
A vitória por 4 a 2 representa uma mudança importante em relação ao empate da última sexta-feira, especialmente pela capacidade de reação e pelas alterações promovidas pelo treinador.
Mas, neste momento, o resultado é apenas uma parte da avaliação.
O novo ciclo brasileiro está começando, e os próximos jogos servirão justamente para descobrir se as soluções testadas na Austrália conseguem se transformar em uma equipe mais consistente ao longo dos próximos anos.
