Vídeo pode mudar rumo do júri de PMs acusados de execução
Imagens de câmera corporal que registram os momentos que antecederam a morte de Igor Oliveira de Moraes Santos serão exibidas no segundo dia de julgamento.
O julgamento dos cabos da Polícia Militar Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados de executar Igor Oliveira de Moraes Santos durante uma operação em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, entra em seu segundo dia nesta quarta-feira (29). A principal expectativa é pela exibição, aos jurados, das imagens captadas pela câmera corporal do soldado Hugo Leal de Oliveira Reis, apontadas pela acusação como uma das principais provas do caso.
Hugo Reis e o soldado Victor Henrique de Jesus também respondem pelo episódio, na condição de colaboradores dos executores. Como os processos foram desmembrados, ambos ainda aguardam julgamento em data a ser definida.
As gravações mostram os instantes que antecederam a morte de Igor. Em uma sequência de aproximadamente 20 segundos, o jovem aparece inicialmente rendido, com as mãos sobre a cabeça. Em seguida, atende à ordem dos policiais e se deita no chão. Pouco depois, recebe a determinação para se levantar e começa a obedecer, mantendo uma das mãos erguida.
Nesse momento, segundo as imagens, o cabo Renato Torquatto da Cruz efetua o primeiro disparo. Logo em seguida, o cabo Robson Noguchi de Lima também atira contra Igor.
As câmeras registram ainda que, quando os policiais entram na residência, os quatro homens presentes se rendem imediatamente. Durante a abordagem, os agentes repetem a expressão “Perdeu, perdeu, perdeu”, enquanto ordenam que os suspeitos permaneçam imóveis.
Antes de entrar no quarto, Renato Torquatto da Cruz pergunta se alguém está armado e dispara duas vezes contra as paredes do imóvel. Após os tiros, os quatro homens permanecem deitados no chão enquanto os policiais continuam questionando sobre a existência de armas.
Já dentro do cômodo, Renato pergunta a Igor se ele possui antecedentes criminais e se está armado. O jovem responde negativamente às duas perguntas. Em seguida, recebe ordem para se levantar. Quando começa a cumprir a determinação, é atingido pelos disparos.
As imagens das câmeras corporais, segundo a acusação, não registram nenhuma arma com os quatro suspeitos durante toda a abordagem. Após os tiros, porém, os policiais passam a afirmar entre si que Igor estaria armado. “Tava armado, caralho. Tava armado”, diz um dos agentes na gravação.
Na sequência, um novo disparo é feito contra a parede enquanto os policiais gritam para que os suspeitos “soltem a arma”. Depois, os agentes colocam luvas e permanecem no interior da residência. Até o encerramento das gravações das quatro câmeras corporais utilizadas na operação, não há registro da localização ou apreensão de qualquer arma com os homens abordados.
Nesta quarta-feira, o Tribunal do Júri deve ouvir mais quatro testemunhas antes do interrogatório dos dois policiais militares acusados. Como a primeira sessão se estendeu por várias horas, não está descartada a possibilidade de que os depoimentos avancem para o dia seguinte.
Concluída a fase de instrução, acusação e defesa apresentarão seus argumentos finais aos jurados. A decisão caberá a um conselho formado por sete jurados — cinco homens e duas mulheres —, responsáveis por definir se os policiais serão condenados ou absolvidos. A expectativa é que o julgamento seja concluído apenas na quinta-feira (30).
