Pai e madrasta de menino de 3 anos são presos após laudo apontar agressões e violência sexual
Madrasta (esq) e pai Igor Gustavo Veloso de Souza (dir) — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Advogado e companheira tiveram a prisão preventiva decretada; laudo do IML indica que criança morreu após sofrer múltiplas agressões.
A Polícia Civil do Tocantins pediu e a Justiça decretou a prisão preventiva do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e de sua companheira, Kathellen Moreira, investigados pela morte de Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, encontrada sem vida dentro da casa onde morava com o pai, em Palmas.
O caso ganhou novos desdobramentos após o Instituto Médico Legal (IML) concluir que a criança morreu em decorrência de múltiplas agressões físicas e também foi vítima de violência sexual, descartando qualquer hipótese de morte natural.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), foi o próprio pai quem procurou a Polícia Civil na tarde do dia 3 de agosto para comunicar a morte do filho. Em depoimento, ele afirmou que encontrou a criança sem vida pela manhã, mas disse que só conseguiu procurar as autoridades horas depois devido ao abalo emocional.
Diante das evidências reunidas pela investigação, o delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), representou pela prisão preventiva do casal. O pedido foi protocolado na Justiça na quarta-feira (5), um dia após a instauração do inquérito.
Defesa nega tentativa de fuga
A defesa de Igor Gustavo informou que ele colaborou com as investigações desde o início e que sua apresentação às autoridades foi previamente combinada após a expedição do mandado de prisão. Os advogados afirmam que não irão comentar o mérito das acusações em razão do sigilo do processo.
Já a defesa de Kathellen Moreira declarou ter recebido a decisão judicial com surpresa e informou que solicitará a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar ou medidas cautelares, alegando que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, ainda em fase de amamentação.
OAB suspende advogado
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) informou que aplicou a suspensão cautelar da inscrição profissional de Igor Gustavo Veloso de Sousa.
Segundo a entidade, a medida tem caráter preventivo e permanecerá válida até a conclusão do procedimento disciplinar, garantindo ao advogado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Vídeo e histórico de denúncias
O caso também ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo gravado dias antes da morte de Gustavo. Nas imagens, o menino aparece recusando-se a ir para a casa do pai. Ao ser questionado pela mãe sobre o motivo, responde:
“Porque ele me bate.”
De acordo com os advogados da mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, ela já havia relatado que o filho retornava das visitas com machucados, mas temia adotar medidas mais severas em razão de supostas ameaças atribuídas ao pai.
Segundo a defesa, a mãe também enfrentava disputas judiciais relacionadas à guarda da criança e buscava na Justiça o pagamento de pensão alimentícia. Os advogados afirmam que ela evitava impedir as visitas para não ser acusada de alienação parental.
Investigação continua
A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da morte de Gustavo e aguarda a conclusão de outras diligências para finalizar o inquérito.
O caso provocou forte comoção no Tocantins. Durante o velório e o sepultamento da criança, familiares e amigos pediram justiça. Em meio à emoção, a mãe resumiu o sentimento da família:
“Eu quero justiça pelo meu filho.”
