Lula recua e adota cautela em reação às tarifas dos EUA
Após pressão do setor empresarial, presidente pede estudos de impacto antes de aplicar medidas de reciprocidade.
O governo federal decidiu adotar uma postura mais cautelosa diante da elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a realização de estudos para avaliar os impactos econômicos antes de colocar em prática a chamada Lei da Reciprocidade, mecanismo que permitiria ao Brasil responder com medidas semelhantes.
A mudança de estratégia ocorre após a resistência de representantes do setor produtivo, que demonstraram preocupação com os possíveis reflexos de uma retaliação comercial, especialmente sobre os custos para empresas e consumidores brasileiros.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a orientação do governo é agir com prudência para evitar que uma escalada nas tensões comerciais provoque aumento de preços no mercado interno.
Enquanto avalia os próximos passos, o Palácio do Planalto mantém a aposta na via diplomática. A expectativa é ampliar, até a próxima terça-feira (22), a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa norte-americana, incluindo itens como máquinas e calçados.
As negociações entre os dois países devem ser retomadas no início da próxima semana. Neste momento, o presidente Lula não pretende entrar em contato diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação do governo é de que ainda há espaço para esgotar as tratativas técnicas antes de uma interlocução entre os chefes de Estado.
Embora a nova tarifa aumente os custos para parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, integrantes da equipe econômica avaliam que o impacto sobre a economia do país tende a ser limitado. Isso porque a permanência — e a possível ampliação — da lista de produtos isentos reduz os efeitos sobre o comércio exterior e o crescimento econômico.
