Tarcísio e Haddad traçam estratégias para reeditar disputa pelo maior colégio eleitoral do país
Governador aposta na imagem de gestor e busca ampliar apoio na capital; ministro pretende nacionalizar campanha ao lado de Lula
A corrida pelo Governo de São Paulo em 2026 começa a ganhar contornos de uma reedição do segundo turno das eleições de 2022. De um lado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve disputar a reeleição apoiado no discurso de gestão e entrega de obras. Do outro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), prepara uma campanha ancorada na associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na defesa de seu legado político.
Embora as candidaturas ainda dependam das convenções partidárias, interlocutores dos dois grupos já desenham estratégias para conquistar o eleitorado do maior colégio eleitoral do país, onde a disputa tende a ser marcada pela polarização entre direita e esquerda.
No Palácio dos Bandeirantes, a orientação é explorar a imagem de Tarcísio como gestor técnico, priorizando a divulgação de obras, investimentos e entregas do governo. A campanha também pretende evitar confrontos diretos com Haddad, adotando um discurso voltado aos resultados da administração estadual.
A estratégia inclui reforçar a presença do vice-governador, Felício Ramuth (PSD), que deve assumir papel de destaque na campanha como representante do governo em agendas pelo estado. Nos bastidores, aliados avaliam que Ramuth poderá ampliar o alcance político da chapa, sobretudo no interior paulista.
A principal vantagem de Tarcísio continua sendo o interior do estado, onde o eleitorado historicamente mais conservador garantiu ampla votação ao governador nas eleições anteriores. O desafio, segundo integrantes da campanha, será ampliar o desempenho na capital paulista, reduto em que a vantagem do PT costuma ser maior. Para isso, a campanha aposta na parceria com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que deve atuar como um dos principais cabos eleitorais do governador na cidade de São Paulo.
Do lado petista, a estratégia passa por nacionalizar o debate eleitoral. Haddad pretende associar sua imagem à do presidente Lula, destacando a proximidade política entre ambos e os resultados obtidos à frente do Ministério da Fazenda.
Além da agenda econômica do governo federal, a campanha deve resgatar realizações da gestão de Haddad como prefeito da capital e investimentos destinados ao estado durante sua passagem pelo ministério.
O maior desafio do petista será reduzir a diferença no interior paulista, onde o PT enfrenta maior resistência. Para isso, a estratégia prevê o envolvimento de lideranças com trânsito em diferentes regiões do estado, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro Márcio França (PSB) e a ministra Simone Tebet (MDB), que deverão participar da campanha para dialogar com setores do agronegócio e do eleitorado moderado.
A oposição também pretende concentrar críticas em temas considerados sensíveis para o governo estadual, como a privatização da Sabesp, a segurança pública e a política de pedágios.
Com perfis distintos e bases eleitorais consolidadas em regiões diferentes do estado, Tarcísio e Haddad iniciam a pré-campanha mirando a conquista do eleitor paulista em uma disputa que tende a concentrar as atenções da eleição estadual e poderá servir como termômetro para o cenário político nacional.
